“Quebra de verdade”

João Pinho de Almeida, deputado do CDS, pronunciou-se sobre o caso da troca de correspondência entre o ministro das Finanças, Mário Centeno, e António Domingues a propósito da polémica das declarações de rendimento.

 

Numa conferência de imprensa na Assembleia da República, João Pinho de Almeida insistiu que o ministro das Finanças faltou à verdade quando disse que "inexistiam documentos que afinal existem".

 

"O CDS não quebrará o princípio de manter sobre reserva até uma deliberação formal essa mesma documentação, mas não precisa do conteúdo para ter uma posição clara sobre aquilo que foi a quebra de verdade de Centeno para com a Comissão de Inquérito", disse o deputado e também porta-voz, recordando que a 23 de novembro o CDS solicitou documentação sobre troca de correspondência eletrónica entre o antigo gestor e Centeno.

“O primeiro-ministro saberá se quer manter no Governo alguém que disse ao Parlamento que uma documentação que inexistia quando afinal existe."

A esse pedido, relembrou, o ministro respondeu, a 3 de janeiro,"inexistiram trocas de comunicações com as caraterísticas descritas". Sabe-se agora que "os documentos que existem que a Comissão de Inquérito já conhece", afirmou João Pinho de Almeida.

 

Mesmo sem conhecer ainda o conteúdo de tal documentação, dadas as evidências, o deputado centrista está em condições de afirmar sem dúvidas "a quebra de verdade é inequívoca" e "poderá estender-se ainda mais com a análise dos documentos que por enquanto estão sob reservas".

 

João Pinho de Almeida fez questão de lembrar ao ministro que "há consequências penais de mentir numa Comissão de Inquérito", questionando-o se este, porventura, quererá voltar atrás na resposta que deu ao Parlamento em janeiro.

 

A António Domingues, os deputados centristas querem ouvir de viva voz "se houve ou não houve a confirmação de um compromisso para que o Governo viesse a afastar requisitos que a lei à época tinha e que impedia aquela administração de tomar posse".

 

João Pinho de Almeida sublinhou que antes das consequências penais terá de haver consequências políticas. "O primeiro-ministro saberá se quer manter no Governo alguém que disse ao Parlamento que uma documentação que inexistia quando afinal existe", defendeu, acrescentando que "qualquer português consegue formular uma opinião sobre se o ministro tem condições para continuar a exercer funções".