Não estamos no PREC

O CDS vai enviar um requerimento a dois ministros para esclarecer o “ataque ao pluralismo democrático” que aconteceu com o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa. O vice-presidente da bancada do CDS, Telmo Correia, considera o cancelamento “muito grave” e lembra ao Governo: “Não estamos no PREC [Processo Revolucionário em Curso]”.

 

Em causa está uma conferência-debate organizada pelo movimento Nova Portugalidade que estaria marcado há cerca de duas semanas, para o auditório 2 da torre B da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da UNL e que a pouco mais de 24 horas da hora marcada (18h30 de terça-feira, 7 de março) acabou cancelado. O próprio diretor da faculdade informou Jaime Nogueira Pinto, único orador, que “por razões de segurança” a conferência “Populismo ou Democracia? O Brexit, Trump e Le Pen em debate” não ser iria realizar acontecer.

Telmo Correia lembra precisamente que se tratava de “uma conferência sobre política internacional promovido por um grupo de estudantes e terá tido uma deliberação contrária da própria Associação de Estudantes, que levou a direção a, por razões de segurança relacionadas com eventuais ameaças, decidir o cancelamento desta conferência.” Ora, isto para o CDS “não é aceitável”.

 

O deputado centrista exige respostas sobre o motivo do cancelamento: “Nós vivemos numa democracia há muitos anos. A tradição, precisamente, universitária deve ser uma tradição de formação, de pluralismo, de ouvir opiniões contrárias. Portanto, independentemente dos organizadores este é um facto que, da parte do CDS, exige esclarecimentos”.

 

É por isso que, além de uma declaração esta terça-feira no Parlamento, o CDS anunciou que já dirigiu um “requerimento ao ministro da Ciência e do Ensino Superior e ao ministro adjunto que tem a tutela de matérias de cidadania para saber que conhecimento têm desta situação e se vão tomar medidas para evitar que este tipo de abusos e ataques à liberdade de expressão e ao pluralismo democrático não possam ocorrer na nossa sociedade".