Assunção Cristas acusa António Costa:

"O senhor não tem condições para estar aí"

Durante o último debate quinzenal realizado na Assembleia da República, a líder do CDS acusou o Primeiro-ministro António Costa de mentir sobre a assinatura do acordo de concertação social.

 

Assunção Cristas iniciou a sua intervenção com uma pergunta simples: “O acordo de concertação social já está assinado por todos os parceiros e o Governo?”. E António Costa respondeu: “Sim”.

 

Mas a líder do CDS insistiu: “Houve alguma assinatura escondida entre a uma da tarde e as três? Estive com dois parceiros esta manhã e nenhum tinha assinado o acordo. Quer manter a sua resposta?”. A isto, o Primeiro-ministro respondeu que tinha sido combinado que não haveria nenhuma cerimónia pública e que o decreto circularia “e todos assinaríamos, portanto está assinado”.

“O senhor acabou de mentir a esta câmara, o senhor mentiu. Começamos por ficar habituados, o senhor mente sempre que aqui vem e acabou de mentir objetivamente. O acordo não está ainda assinado.”

“O senhor acabou de mentir a esta câmara, o senhor mentiu. Começamos por ficar habituados, o senhor mente sempre que aqui vem e acabou de mentir objetivamente. O acordo não está ainda assinado”, afirmou então Assunção Cristas.

 

A líder do CDS aproveitou a ocasião para anunciar uma proposta para prolongar a redução da TSU dos empregadores em 0,75 pontos percentuais, exclusivamente financiada pelo Orçamento.

 

“Faremos certamente uma medida de prolongamento dos 0,75 de redução da Taxa Social Única paga pelos empregadores que já existiam e que existem até ao final deste mês, porém, totalmente suportados pelo Orçamento do Estado”, revelou.

Assunção Cristas lembrou ainda que o CDS votou contra uma medida deste tipo em 2016 porque é contra uma descida da TSU com base no financiamento da Segurança Social. No entanto, assegurou, “o partido não contribuirá, como o Governo quer, para desvalorizar a concertação social”.

 

"Se o senhor não está preocupado em reequilibrar este acordo, que está ferido ainda antes de ser assinado, e isso fica como sua maior vergonha, eu posso-lhe garantir que, no CDS, apresentaremos propostas nesta Câmara – que estou para ver como o PS vai votar –, para garantir que, pelo menos, alguma coisa de reequilíbrio é garantida para as Instituições Particulares de Solidariedade Social e para as Pequenas e Médias Empresas, que têm de suportar estes custos de aumento do salário mínimo", referiu a presidente do CDS.

 

Para Assunção Cristas, o Primeiro-ministro estabeleceu um “acordo de primeira e outro de segunda” e não tem uma maioria para governar. “Tem uma maioria intermitente, que está quando lhe apetece e desaparece quando lhe apetece. O senhor rigorosamente perdeu eleições, com 33%, ainda não se habitou que para fazer passar as suas propostas convém perceber antecipadamente que apoio tem para elas”, disse.

 

E acrescentou: “O que se mostra é que o senhor não tem uma maioria estável, não tem uma maioria credível, não tem uma maioria duradoura. E vamos assistir a mais episódios destes, porque o senhor Primeiro-ministro rigorosamente não tem condições para estar aí”.