CDS chama ministro do

Ambiente com urgência

O vice-presidente da bancada do CDS Telmo Correia adiantou que, caso o pedido para ouvir Matos Fernandes, ministro do Ambiente, venha a ser inviabilizado, estando prevista a sua audição para o dia 24 de janeiro (pedida pelo PEV), o CDS provocará a sua presença de forma potestativa em plenário, através da marcação de um debate sobre o assunto.

 

O deputado do CDS, Telmo Correia, lamentou que o ministro do Ambiente tenha "chegado tarde" ao dossier Almaraz e justificou a urgência da sua audição, até em plenário.

 

"Podemos condenar a posição do governo espanhol mas temos de saber se o Governo português é ou não capaz de liderar esta matéria", afirmou.

 

A Comissão Europeia admitiu que poderá contactar as autoridades espanholas para "clarificar a situação" do aterro nuclear na central de Almaraz e "chamar a atenção" para as obrigações previstas na legislação comunitária em matéria de segurança nuclear.

“Podemos condenar a posição do governo espanhol mas temos de saber se o Governo português é ou não capaz de liderar esta matéria.”

Portugal anunciou a apresentação de uma queixa em Bruxelas contra Espanha depois de os Governos dos dois países não terem conseguido chegar hoje a acordo sobre a construção de um aterro nuclear na central de Almaraz, que Lisboa contesta.

 

"Portugal vai solicitar a intervenção de Bruxelas neste caso. Havendo aqui um diferendo, ele tem de ser resolvido" pela Comissão Europeia, disse o ministro do Ambiente português, João Matos Fernandes, à saída de uma reunião com a sua homóloga espanhola, Isabel García Tejerina, e com o ministro da Energia, Álvaro Nadal.

 

A funcionar desde o início da década de 1980, a central está situada junto ao Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre, sendo Vila Velha de Ródão a primeira povoação portuguesa banhada pelo Tejo depois de o rio entrar em Portugal..”

 

A central nuclear de Almaraz tem dois reatores nucleares, cada um com uma "piscina" para guardar o lixo nuclear, prevendo-se que a do "reator 1" alcance o limite da sua capacidade em 2018.

 

Segundo Almaraz, o ATI a construir vai ser necessário para armazenar qualquer material radioativo, mesmo aquele que resultar da desativação da central em 2020, como está previsto.

 

Os ambientalistas portugueses desconfiam que a decisão de construção do ATI seja o primeiro passo para prolongar a vida da central para além de 2020.